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Publicado em 21/07/2010 00:01:00 Categoria: Cinema

La Casa Muda

"Filme de terror uruguaio rodado em "One-Single-Shot" vai a Cannes"

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É cada vez mais comum filmes de terror de pouca verba faturarem alto nos cinemas. Para quem acredita que filmes bons são filmes de mega produções, aqui está a prova de que estão errados. Uma câmera digital emprestada, seis mil dólares e quatro dias de filmagem. Assim foi feito o terror experimental "La Casa Muda", do uruguaio Gustavo Hernández.
“La Casa Muda foi produto de uma limitação orçamentária”, disse Hernández em entrevista à Agência Efe.
Tudo começou quando um produtor lhe ofereceu seis mil doláres para estrear como diretor de um longa metragem que fosse feito com “pouca gente, poucos recursos e que pudesse ser filmado em pouco tempo”, explicou. Até então ele só havia dirigido videoclipes, comerciais e curta-metragens.
Após "várias conversas com amigos" sobre como e o que filmar, seu problema orçamentario foi resolvido: oferecer "medo real em tempo real"." Se tratava de fazer, com uma equipe mínima, uma história mínima, e então pensamos em contar o que passa com todos quando sentimos medo, quando temos todos os sentidos em alerta e os segundos podem parecer horas”, relatou o diretor. A história é inspirada em um caso real da década de 1940, quando dois corpos foram encontrados mutilados em uma casa de campo no norte do Uruguai. O filme foca os últimos 74 minutos de vida das vítimas.
A camera usada, uma Canon 5D emprestada, lhe deu maior mobilidade e a sensibilidade óptica do aparelho permitiu que o filme fosse filmado com "duas lanternas e um foquinho de luz em cada quarto".O projeto é "one-single-shot", filmado em uma única sequência direta, ou seja, em tempo real. “Queríamos que o espectador vivesse as emoções, sem enganá-lo com vários planos e contraplanos, e decidimos rodá-la em uma só tomada”, contou Hernández.
E foi nessa maneira incomum de gravação que os juizes de Cannes viram a razão para que o filme fosse para a Quinzena de Produtores, a seção experimental do Festival de Cannes. “Até nisso tivemos uma sorte enorme, porque só chegamos a Cannes graças a um jurado do festival que viu nosso trailer pela internet e nos escreveu um e-mail sugerindo apresentá-lo”, lembrou.
Os blogs e sites de cinema de terror, pelos quais o trailer circulou durante meses, foram "fundamentais" para o êxito do filme, que até então nem sequer estava acabado e que por enquanto só havia sido visto por "umas três ou quatro pessoas" alheias à produção. Apesar de todos os fatores incomuns com os filmes hollywoodianos, o diretor promete que seus fãs não se decepcionarão.“Tudo no filme terminou acontecendo para conseguir dois objetivos básicos: entreter e assustar”, afirmou o cineasta.

Colaborador:
Joy Oliveira

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