Artigos \ Cultura

Publicado em: 27/01/2010 12:56:01

Janeiro Brasileiro da Comédia: nem tantos risos assim

 O festival Janeiro Brasileiro da Comédia sempre foi motivo de orgulho para os rio-pretenses. Em sua 8ª edição tem como lema: “democratizar o acesso à cultura”, segundo afirmou o Secretário Municipal de Cultura, Deodoro Moreira. Em alguns aspectos acredito que o objetivo tem se cumprido, porém em outros, deixou muito a desejar à população.
Sabemos que a cada ano os organizadores buscam fazer melhorias e isso também é percebido e reconhecido por todos que prestigiam o festival. No entanto, muita injustiça e desorganização têm marcado algumas das apresentações.
O primeiro ponto que destacamos é com relação à distribuição de ingressos. Acompanhamos o “drama” que foi conseguir ingressos no ano passado e o quanto foi desperdiçado, pois como era distribuído com antecedência e com um limite de 2 ingressos por pessoa, muitas pessoas não compareciam e muitos ingressos acabavam por se “perderem”. Ficamos mais otimistas este ano ao saber que os ingressos seriam distribuídos 1 hora antes das apresentações e nossa satisfação foi maior ainda quando chegamos ao teatro e vimos o aviso que seria distribuído 1 ingresso por pessoa, pois assim pensamos que um maior número de pessoas teriam acesso à cultura, como é o objetivo da secretaria e do prefeito Valdomiro Lopes.
Porém, a nossa grande decepção foi perceber que as coisas não funcionam como deveriam e que uma minoria é privilegiada. Não há nenhum controle na distribuição dos ingressos, sendo por isso possível que uma mesma pessoa entre na fila diversas vezes, e isso é mais comum do que se imagina. O pior disso tudo é que uma parte dos ingressos já está destinada aos privilegiados da população: vereadores e familiares, e funcionários da prefeitura. Estes não precisam enfrentar fila alguma; chegam no horário do espetáculo ou até mesmo atrasados e entram normalmente, deixando para trás pessoas que chegaram ao teatro cedo, mas que não conseguiram ingresso algum... por que será?
Quem deveria dar o exemplo à população usa de seus cargos para obterem vantagens. O que os “palhaços” (pois é assim que as pessoas se sentem) que ficaram do lado de fora se perguntam é: por que eles são melhores que nós? Ou melhor, em que eles são melhores que nós? Se eles estão ocupando os respectivos cargos é porque a população assim escolheu, mas eles somente se lembram disto na hora de pedir voto.
Como se não bastasse tudo isso, há pessoas que entram sem ingresso e depois de um tempo levam mais outras, também sem ingresso, para dentro.
Passada a luta por um ingresso, os sortudos que conseguem este ainda precisam conquistar um lugar, pois quando vão procurar uma poltrona disponível, já estão todas guardadas.
Para finalizar, expressamos nossa decepção ao perceber que alguns dos organizadores do evento ali presentes, vendo a indignação de muitas pessoas na porta do teatro, não tiveram a capacidade e nem a vontade de ir ao encontro deles, mesmo sendo solicitada a presença de pelo menos um deles, para que estas pudessem ser ouvidas. A única medida tomada foi a Guarda Municipal ir conversar com algumas pessoas que ainda esperavam por alguma atenção. Mesmo não sendo a presença esperada, foi este o único momento em que alguém os escutou.
Um final nada condizente com a proposta de um Janeiro Brasileiro da Comédia.


Daniela Maciel Cavina
Karla Fernanda Caldeira
Marcela Flávia Costa Silva

Colunista:
Colaboradores

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Comentários

"Te acompanho no sentimento".

Quem esteve ontem no Teatro Muncipal Humberto Sinibaldi Neto pode ver o que foi descrito no artigo "Janeiro Brasileiro da Comédia: nem tantos risos assim". As pessoas chegam cedo para conseguir seus ingressos e se deparam com falta de organização e de educação, não foi visto em nenhum momento do lado de fora alguém do Festival, além da falta de respeito da organização do Festival o povo brasileiro também não fica muito atrás na falta de educação, muitas pessoas "furando" filas desrespeitando quem havia chegado mais cedo para conseguir seu convite honestamente. No banquete de cultura o que falta é educação, quando as duas coisas deveriam andar juntas estão andando na contramão.

By Regiane Sant'Anna

 
Regiane Sant'Anna (27/01/2010 13:36:56)
 

Sacanagem mesmo, hein!? Li no jornal DR também sobre isso. Sem dúvida, uma falta de respeito ao povo.

 
Augusto (28/01/2010 13:35:14)
 

É, parece q já começaram com o "bolsa cultura".. mas nem se deram ao trabalho de ensinar à maior parte da população sobre como usar.

 
Josué (28/01/2010 13:40:48)
 

 

 

 

 

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