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Publicado em 27/07/2009 19:24:25 Categoria: FIT

Leitura Crítica do espetáculo "Talvez"

"Talvez fosse um espetáculo que não se esperasse nada além de um solilóquio. "

Viajar com Dário? Talvez!*


Talvez fosse um espetáculo que não se esperasse nada além de um solilóquio. Talvez esperasse que Dário ficasse somente ali, consigo mesmo, esperanto Rita.
O que “Talvez” realmente não é. A montagem do texto de Álamo Facó e interpretado pelo próprio autor traz ao texto uma realidade e um realismo muito mais próximos do que a distância mínima que temos entre os colegas espectadores ou entre a platéia e o intérprete.
O espaço, uma sala pequena de uma grande casa, dialoga de maneira excepcional com o texto, e justifica ainda mais o nome “Módulo Ocupação”, dado ao conjunto de peças da Cia. dos Atores encenadas no casarão. Nos momentos onde Dário apresenta aos seus espectadores a casa onde decidiu se trancar esperando a sua amada Rita, compramos a verdade da encenação/apropriação e já encontramo-nos devidamente instalados em um dos bancos da sala.
Com uma grande mistura de sons e músicas, Dário divide conosco seu laptop multi-uso, multi-tudo. O equipamento é objeto de cena, de diálogo, um personagem que personifica Rita. Em dado momento, ela nos aparece: linda, meiga, apaixonante; a figura perfeita construída à imagem e semelhança do pensamento de Dário.
César Augusto, o diretor, deixa Dário/Álamo totalmente exposto em um cotidiano do qual todos nós pertencemos e conhecemos. Mas quem, além dele, aventura-se a escrever, e mais, encenar algo tão íntimo? Melhor: quem encena algo de tão profunda intimidade e ainda arrisca-se a mostrar que sabe que a platéia está ali, assistindo a tudo?
A figura de uma porta construída com fita adesiva ainda nas primeiras cenas já mostra logo de cara que não sairemos dali. A viagem, de Rita, Dário, César, Álamo e nossa, voa! Dário decide ir de encontro à amada, ao amor, à realidade externa. Quando surge então sua mochila para uma viagem tão longa e distante (o Chile ou si próprio?) vemos, finalmente, que Dário não pode, não quer, não consegue sair dali. Talvez quisesse, talvez quisesse, talvez conseguisse. Precisamos escolher qual o talvez?

Joice Zorzi

ideiasculturais@ymail.com

 

* Texto produzido durante o Atelier de Crítica Teatral, realizado pelo FIT 2009 e ministrado pelo jornalista e crítico Kil Abreu.

Colaborador:
Joice Zorzi

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