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Publicado em 18/07/2009 04:49:18 Categoria: FIT

Leitura leitura de Abis/OM

"...estava mergulhado no abismo e buscava uma redenção ou uma saída daquela condição em que estava."

No segundo dia do festival assisti a peça Abis/OM. A peça riopretense, do diretor e ator Gerrah Tenfuss, foi uma das dez selecionadas para o módulo Aldeia Fit deste ano de 2009. Recentemente ela estava presente no Festival Nacional de Teatro de Goiânia, onde foi escolhida como peça de melhor iluminação e ainda melhor ator.

Apropriadíssimo ao tema do Fit 2009, o espetáculo trouxe ao palco e ao público diversas formas de interpretar e compreender a apresentação, que é um trabalho solo, bem como despertou variados sentimentos. Durante o início da apresentação alguns flashes ilustravam a desintegração de uma alma de um corpo caído no chão. De uma forma grotesca o artista se contorcia no palco demonstrando sofrimento e dor naquele momento que aparentava ser a sua morte. Como o nome do espetáculo mesmo diz (Abis/OM = termo de origem sânscrita que significa abismo) o ator estava mergulhado nesse abismo e buscava uma redenção ou uma saída daquela condição em que estava. Durante esse percurso ele passava por diversos trajetos e rotas que visavam o seu aperfeiçoamento até atingir a sua origem, ou mesmo atingir a pureza do ser humano, a infância.

Outra interpretação que encontrei é a de um ser humano regressando à sua origem. A morte representaria seus momentos finais da vida, onde tudo parece não ter mais sentido na busca da perfeição, ou de si mesmo, que sempre procurou a perda da esperança. Isso acontece no centro do palco. O momento em que o artista vai para o labirinto, no canto direito do palco, poderia representar a fase adulta, onde já podemos saber quem somos, o que buscamos, o que queremos, e que sempre somos dominados por uma força maior (o labirinto, o pó) que nos aprisiona, que nos manipula e não nos permite ter o conhecimento do que buscamos. Quando o artista pega o espelho e vê a si mesmo seria essa descoberta, "eu tenho vida, ela pulsa em mim" (alusão ao momento em que ele aponta para o seu peito e começa a dizer palavras incompreensíveis, mas que são de protestos. Ou, na interpretação anterior, o motivo da sua morte, talvez um tiro e a sua revolta com o acontecimento). Depois ele retorna a infância quando vai para o canto esquerdo do palco, onde tem alguns objetos infantis como um chapéu de palhaço, lápis de cor, uma caixinha de música e confetes. Na infância ele descobre que não há o abismo e não necessita dessa busca, e que sua alegria é plena.

Uma peça bastante dramática, mas que prende a atenção na busca da compreensão do espetáculo em si. A peça Abis/OM ainda será apresentada neste sábado, dia 18, no CICC, às 19 horas, e no dia 19  e 20 na paralela Vila Toninho, às 20 horas. Vale a pena conferir.

Colaborador:
Tiago Nizato

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