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Publicado em 24/10/2011 00:40:32 Categoria: Teatro

Entrevista com a Cia Cênica sobre o espetáculo “A Cor Silva”

"AqueleSite entrevistou os integrantes durante ensaio no dia 29/09 e 03/10 no auditório da secretaria de cultura São José do Rio Preto"

O novo espetáculo “A Cor Silva” da Cia. Cênica, chega para colorir a história de um artista considerado um dos maiores naïf do Brasil, pincelando suas passagens da roça até seu reconhecimento em exposições internacionais.


AqueleSite: Quando nasceu a Cia Cênica? E qual o perfil dela?
Fagner: A Cia. Cênica nasceu em 2007 e desde então busca desenvolver seus trabalhos a cerca de pesquisas corporais e musicais sempre com autores locais. Costumo dizer que os trabalhos da nossa Cia são realizados a várias mãos, pois contamos com o apoio de outros profissionais. Nosso trabalho no palco é concebido a partir de uma pesquisa em longo prazo, neste caso o pesquisado foi o Silva.

AqueleSite: Além de diretor e atores, quais os outros profissionais que estão envolvidos neste trabalho?
Fagner: Preparador corporal e vocal, figurinista, pesquisador pedagógico, dramaturgo, costureira, maquiador, sonoplastas, enfim, é um monte de gente (risos).

AqueleSite: Por que Silva? O que levou a escolher o pintor como temática?
Fagner: Esta é uma pergunta que muita gente me fez, é a que eu mais escuto! Assim como o Silva, vim de outra cidade e quando cheguei a Rio Preto eu quis conhecer os artistas que aqui marcaram com sua história e me encantei por duas pessoas: Dinorath do Valle e José Antônio da Silva. Ao descobrir o museu que Silva criou em Rio Preto e o descaso que existe com obra que está em maus estados de conservação, eu percebi que era necessário trabalhar a história dele.

AqueleSite: Como foi a concepção do texto?
Homero Ferreira: Inicialmente o Fagner me procurou com a ideia de realizar algo sobre o Silva e a partir disso fui pesquisar. Tive como base o livro Silva: quadros e livros: um artista caipira - do professor Romildo Sant’ Anna. O primeiro resultado foi um texto com uma abordagem mais urbana da vida do Silva, depois realizei modificações textuais e cheguei ao texto de hoje.

AqueleSite: Que modificações foram estas?
Homero Ferreira: Depois deste tratamento, o texto passou a ter uma abordagem rural, foi transformado em uma fábula caipira com os devaneios do Silva.

AqueleSite: Como foi trabalhada a construção dos personagens?
Linaldo Teles: Como preparador corporal deste trabalho, eu oriento os atores quanto à compreensão do corpo, facilitando assim as transições necessárias em cena e também à criação de uma partitura corporal.

Neto Chiacchio: O trabalho realizado pelo Linaldo nos leva a encontrar as bases necessárias para sustentação de cada personagem, para que não ocorra uma desconstrução corporal em cena.

Vanessa Palmiéri: Além disso, realizamos várias leituras, assistimos a vídeos, conhecemos livros, visitamos o Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva e levantamos todas as discussões possíveis.

Roberto Brito: Quero ressaltar que tudo isso que foi citado resultou numa cumplicidade que é essencial em cima de um palco. Quando os atores não jogam um com o outro, o resultado alcançado não é legal, não tem qualidade. O fato de trabalharmos em um grupo reduzido também contribui para essa boa relação que existe.

AqueleSite: Além de pintor, Silva foi também autor de livros, como o “Romance de minha vida”, publicado em 1949, “Maria Clara” em 1970 e “Sou pintor, sou poeta” em 1981.  De que forma os livros escritos por Silva influenciaram na montagem?
Fagner Rodrigues: Os livros do Silva, assim como o LP que ele também gravou, foram utilizados para aprofundarmos em sua passagem, porém o espetáculo é todo voltado para o Silva pintor.

AqueleSite: Qual a contribuição deste espetáculo para a história do Silva?
Fagner: O espetáculo contribui para o reconhecimento deste artista que, de certa forma não foi devidamente reconhecido em sua terra. A maioria daqueles que o rodeava incompreendia a sua arte e mesmo com essa “barreira” sua obra ganhou o mundo.

AqueleSite: Quem for assistir a estreia, vai encontrar o que?
Homero: Vai encontrar uma peça teatral sensível, com uma abordagem poética e uma leitura própria do que foi esse artista “não compreendido”, ressalto as aspas.

A estreia acontece no SESC Rio Preto, dia 29/10, sábado, às 20h30.

 

Clique aqui e veja mais informações sobre o espetáculo

Colaborador: João Darte

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João Darte

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