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Publicado em 25/09/2011 10:10:10 Categoria: Literatura

Sinceridade

"Hoje essa tal sinceridade está em extinção, é artigo raro."

 

Eu vou me apresentar, eu sou uma personagem das histórias cotidianas da vida, pode até ser que em algum momento sejam monólogos e análise de outros paralelos, mas vamos a mim, a personagem, em suas características físicas é uma cidadã; estatura média; cabelos médios; no momento escuros, como posso dizer... castanho médio; olhos escuros, castanho também combina com os cabelos; o nariz grandinho para o restante do rosto; boca carnuda; dentes pequenos brancos, certinhos; orelhas pequenas, dois furos em cada uma; altura de manhã 1,59m e de tardezinha 1,60m, é brincadeira? Bem, o corpo vamos deixar para outro momento, pois depende do estado emocional, ora acima do peso, ora dentro do peso, ora abaixo do peso, uma luta para encontrar o equilíbrio do corpo; os pés limpos, tamanho 36, o que é normal, lindos, se as unhas fossem maiores e não ficassem encravadas de vez em quando, seria melhor ainda!

Aos poucos vamos conhecendo características minhas psicológicas pessoais, impessoais, talvez intrínsecas, extrínsecas com certeza, essas eu não consigo nem disfarçar, que hoje ando, trabalho, estudo, amo, me divirto, entre outras tantas coisas por aí na cidade de São José do Rio Preto-SP.

Ah! Meu nome eu conto em outro episódio, porque é uma história comprida...

Por falar em características extrínsecas, vamos falar de uma delas dessa personagem, a sinceridade. Essa palavra vem de outra, sincero, e o que é? Se for consultado no dicionário veremos conceitos muito legais para essa palavra, você sabia que sincero é o que exprime só o que sente e pensa? Mas o sincero também é o cordial, o leal, o verdadeiro, o natural, o que traduz o que sente no coração.  _ Fala sério! Como é que a pessoa pode ser sincera e ainda ser tudo isso???

Alguém vem até mim com aquela roupa rosa ofuscante, brilhante, sapatos verdes, calça rosa, e me pergunta se está maravilhosa, eu engulo seco, mas sou sincera e digo: _ Não! Não ficou bem em você! Eu até estou sendo natural, verdadeira, estou dizendo o que sinto, e sendo cordial, mas ela, a pessoa com aquela roupa, na maioria das vezes, vai achar que eu estou sendo falsa, sem educação, mal humorada, isso se ela não pensar que eu estou sendo invejosa e querendo a roupa dela para mim!

Quando eu vejo um rapaz bonito dentro do elevador ou em qualquer lugar e digo para ele:

- Eu não te conheço, mas você é bonitão, hein?! Ele fica roxo de vergonha, sai do elevador e fala para as pessoas que eu sou louca, ou desavergonhada. Isso, quando eu acho bonito, imagine quando eu acho feio!?! Não quero nem saber o que falam de mim!

Quando as pessoas acham um trabalho meu interessante, ou elogiam e perguntam quem fez algo tão bonito e eu respondo: - Eu, eu que fiz, realmente está bonito! Nesse momento acaba o encanto, as pessoas me chamam de metida e orgulhosa demais.

Eu vou ser sincera, as pessoas são difíceis, viu?! Eita, povo complicado!

Aquela pessoa muito legal, que eu amo, me dá um presente, justo aquele algo de que eu não gosto, que pode até estar na moda, mas eu fico parecendo um balão com aquela peça, a pessoa insiste em me ver vestida na peça de roupa que ela comprou com tanto carinho para me agradar, que na verdade eu estou quase surtando de ver aquilo na minha frente, insisto em não vestir, ela insiste para que eu vista, eu visto, acho horrível, minha cara dá um show de negação, então a pessoa diz aquela sonora frase: - Está lindo em você! Fecha a cena com chave de ouro, eu indignada, tentando disfarçar e a pessoa feliz, o que demonstra que eu estou sendo muito discreta.

Quando o final da cena é esse, fica tudo muito bom, exceto por mim, que fico engasgada, e isso acontece muitas vezes, eu não sei como eu não tive ainda um problema sério de esôfago, devido tantas vezes que me engasgo; Quando fico brava com alguém sensível não posso falar o que sinto, porque ele é muito sensível, pode se magoar muito; Quando tenho algo importante, porém deselegante para falar com alguém que por natureza é irritadiço, não posso ser verdadeira porque aquela pessoa é muito nervosa e pode me atacar; Quando quero pedir desculpas a alguém, não peço porque a pessoa pode entender errado e ficar com mais raiva de mim; Quando quero me oferecer para algum serviço extra, penso bem e não me ofereço porque a pessoa pode achar que se estou me oferecendo é porque sou uma desocupada e não tenho o que fazer; Quando tem uma fofoca na família que basta eu falar algumas verdades para resolver, não posso dizer, pois aquela pessoa que vai ouvir as verdades vai ficar com raiva de mim e consequentemente vai causar uma desunião na família e a culpa ainda vai ser minha! Quando quero ser cordial com aquela pessoa que não conheço, mas está com um papel higiênico grudado na calça, não posso falar porque ela pode pensar: – Eu nem conheço essa pessoa e ela vem falar comigo?!

Eu chego à conclusão que sinceridade é dureza de ser praticada, para quem é sincero e para quem recebe um comentário sincero, mas eu sonho que seria tão legal se todos fossem bem sinceros, iria ser tudo uma festa, ninguém iria ficar bravo com ninguém, porque também o seria com outro, em fim... Um mundo sincero é um luxo! Hoje essa tal sinceridade está em extinção, é artigo raro, quem tem, às vezes prefere nem ter, pois se vê em cada situação constrangedora, eu tenho que me virar nos vinte, pois trinta ainda é muito, quando tenho que deixar de ser verdadeira, pois ainda tem mais um problema, minha cara me condena! Agora, eu estou usando a tática de ficar calada, a pessoa me pergunta algo, eu não posso responder a verdade, também não posso mentir, então me calo, mas minha expressão facial é uma danada, ainda assim algo no meu rosto diz àquela pessoa a verdade, é melhor, pelo menos eu tenho um argumento: ˗ Eu? Eu não falei nada! Afinal, eu não tenho culpa de até minha cara ser sincera!

 

Colaborador:
Juliana Campos

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