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Publicado em 18/07/2011 21:00:18 Categoria: FIT

Leitura de "Ópera dos Vivos - Estudo Teatral em Quatro Atos" da Cia do Latão, no FIT 2011

"O que levar da peça para nossas vidas? Podemos corresponder a entrega dos intérpretes ou ao árduo trabalho da equipe técnica?"

"Ópera dos Vivos - Estudo Teatral em Quatro Atos ", do Grupo teatral de São Paulo Companhia do Latão, apresenta uma visão crítica a cerca de alguns fatos históricos marcantes. É uma peça que instiga no espectador a busca pelo reconhecimento inteligente e a proposta de formação de um juízo. Ajusta teatro, música e cinema para abordar uma parte da história cultural dos anos 1960 até hoje. Apresenta uma reflexão da discutida cultura que se mercantiliza, em quatro atos apresentados separados, mas que juntos eles conversam de forma elaborada.

No Ato 1, Sociedade Mortuária, o cenário combina com um teatro inacabado, bem como com a história das ligas camponesas. As palavras e roupas simples, os personagens ainda tão presentes em nossas vidas, a musicalidade e expressão dos atores convencem de que não era vida real como parecia ser, e sim arte.

O Ato 2, Tempo Morto, apresenta um filme sobre um golpe, demonstra a situação política outrora vivida por “atores” como o capital, o socialismo, o comunismo, o militarismo, o catolicismo, os intelectuais e artistas, enfim, uma história que algumas gerações ali presentes viveram e outras somente estudaram sobre.

O Ato 3, Privilégio dos Mortos, mostra-se na forma de um show narrativo, que nos dá a percepção dos movimentos culturais da época, da intervenção de militares, dos desaparecimentos de pessoas pela Ditadura Militar etc. Com suavidade retrata-se o tropicalismo, e a revolta da população mediante a censura.

O último, o Ato 4, Morrer de Pé, se passa no ambiente de trabalho televisivo da TV Todo, com personagens como atores famosos, diretor, figurante, o câmera, o iluminador, a maquiadora. Neste ato, deixa se ver o trabalho alienado, no qual não se exprime opinião crítica a cerca do que é feito, entendo que a negação a esse trabalho se faz presente na figura de um cavalo aparentemente selvagem, negando a domesticação. Reocupa-se a mercantilização da cultura.

Em especial neste ato, chamou-me atenção a aparição espiritual de Júlia, atriz desaparecida pela ditadura (personagem que faz um elo de ligação entre todos os Atos), e sua fala dirigida à sua filha Anita: “Filha, por que você está sempre à espera? Aqui, é preciso ser mais Brecht do que Stanislavski. Não podemos só sentir, temos que compreender.(...)”

E porque me chamou atenção? Ora, este para mim foi o “boom” da minha reflexão! Como terminar este espetáculo e outros mais que possam nos levar a uma reflexão do ser, do estar, da política e outras coisas? O que levar dessa peça para nossas vidas? O que essas pessoas que preparam tudo que é apresentado, esperam de nós? Enquanto público podemos corresponder a entrega dos intérpretes, o árduo trabalho da equipe técnica, ou melhor, corresponder o empenho de todos?

Por muitas vezes eu percebo ao sair do teatro, ouvindo os comentários do público que as pessoas reconhecem o que a peça de teatro almejava causar, no entanto não demonstram a possibilidade de alguma atitude tomar.

Sendo assim, “Ópera dos Vivos” cumpriu seu papel, apresentou um belo espetáculo, onde 4 horas passaram rápido, vai ver é porque eu não fiquei 4 horas paradas no mesmo lugar, visto que viajei por 4 atos e por alguns 50 anos e o mais importante: Pensei e pensei muito!

Colaborador:
Juliana Campos

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