| Publicado em 11/04/2011 07:25:25 | Categoria: Literatura |
Diário de Bordo: Salvador-BA
"Nosso país é diversificado, folclórico, simbólico, místico, estreito, raso, largo e profundo"
Bom, é a primeira vez que eu conto com detalhes uma viagem, faço isso atendendo a pedidos de amigos, quem tem dúvidas de destinos para passar férias, valores a pagar, o que fazer no destino, enfim...
A ideia de fazer essa viagem começou com uma forte vontade da minha amiga Adriana, que ama Salvador-BA e até sonhava com esse destino, mesmo nunca tendo conhecido, apenas pelos comentários da mídia acerca do Carnaval nesta cidade, assim sendo, me dediquei a uma pesquisa na net, dos pontos positivos e negativos, bem como pontos turísticos. Consegui uma boa promoção no pacote, arregacei as mangas, fiz um roteiro próprio, alugamos um carro, tudo do mais barato que achamos, pois eu e meu esposo temos um lema: “Quem gasta pouco numa viagem, viaja mais!”
Bom, já sentimos uma dificuldade no deslocamento de Rio Preto a Campinas (saída do vôo), tendo em vista que os horários eram incompatíveis com os demais meios de locomoção até lá, finalmente decidimos ir com nosso carro, deixá-lo no estacionamento do aeroporto e seguir viagem.
1º Dia: Quinta-feira – 24/03
Fizemos boa viagem até Salvador, seguimos rumo ao hotel onde ficamos hospedados, o Golden Park Hotel, nível médio. Nós passeamos pela Orla próxima ao hotel no bairro Pituba, onde as praias estavam impróprias para banho devido à poluição.
Fomos curtir a noite, no Botequim São Jorge, foi bom, muitas risadas, ao sairmos do butequim encontramos o Tuca, vocalista do Jamil, fechamos a noite melhor ainda e pensamos que sempre encontraríamos famosos por ali.
2º Dia: Sexta-feira – 25/03
O bom de alugar carro é que não ficamos limitados com os horários dos passeios, contratos que o ônibus vem no horário marcado e se não estivermos lá, não vamos passear...
Acordamos e fomos tomar um delicioso café da manhã no hotel e saímos às 9 h para fazer o City-Tour Histórico, que eu mesma montei com base em comentários dos internautas, coloquei vários lugares para visitar no roteiro, não consegui fazer nem metade de tudo que estava escrito.
Começamos pelo Farol da Barra, visitamos o Forte Santo Antônio da Barra, século XVI, este é também intitulado como Museu Náutico da Bahia. Paga-se R$6,00 a entrada e estudantes e idosos pagam meia.
Seguimos rumo ao famoso Pelourinho, que eu, particularmente, tinha em mente o filme “Ó Paí Ó” como referência deste local, que fica na Cidade Alta. Logo no começo já fomos abordados por vários jovens, oferecendo local para estacionar e serviço de guia, eles chegavam a correr atrás do carro. Escolhemos um e entramos, depois entre tantos escolhemos um guia credenciado pela AGMTUR, é muito importante um guia, contar fatos da história dos lugares, mostrar onde fica, curiosidades e no caso da Bahia temos muito a lembrar e não é algo a que estamos alheios, afinal, estudamos história do Brasil na escola e uma parte significante dela está na Bahia.
Começamos pela Praça da Sé, onde havia a velha Sé da Bahia, que foi erguida em 1553, no século XVII, e que serviu de fortaleza contra os invasores holandeses, em 1933 a igreja foi demolida e hoje tem-se a Praça da Sé com o Monumento Cruz Caída. Vale lembrar que Salvador tem 365 igrejas, como diz o nosso guia: “É uma igreja para cada dia do ano”.
Fomos primeiro à Igreja e Convento São Francisco, que foi edificada entre 1749 e 1755, é um modelo da primeira época do estilo barroco ou colonial, azulejos portugueses, obras de jacarandá, parece uma grande igreja de ouro, é maravilhosa! Para visitar esta igreja paga-se R$5,00 por pessoa.
Continuamos o passeio pelo Centro Histórico, o chão de pedras, aquelas ruazinhas estreitas, construções coloniais de diferentes cores, o Pelourinho é chamado de Centro Cultural do Mundo pela UNESCO e Patrimônio da Humanidade, andando por lá, você se sente há algumas centenas de anos. Eu parei em uma barraquinha e conheci a Ju, minha xará, que faz penteados afros, e fiz um, paguei R$15,00, achei legal, fiquei uma autêntica baiana. Ela disse que demoraria 15 dias, mas não aguentei e só fiquei 2 dias, deu para aproveitar bem! Ah! Vale lembrar, é bom ir de tênis, pois você anda um bocado, subidas e descidas, e tem umas pedras lisas que você escorrega. Visitei também a Fundação Casa de Jorge Amado, entrada grátis, passei por onde Jorge Amado morou, e pisei onde Michael Jackson tropeçou no Pelourinho.
Para ir ao Mercado Modelo, você desce até a Cidade Baixa pelo Elevador Lacerda, que liga a Cidade Alta à Cidade Baixa.
O Mercado Modelo é um local onde vende artesanato, lembranças da Bahia, etc. Visitamos e ficamos encantadas com os batuques, meu irmão arriscou tocar um instrumento lá, que foi muito bom para rir. Almoçamos já era mais de 15 h, no restaurante Maria de São Pedro, tem vista para o mar, uma delícia, comemos “ximxim de peixe”, é um peixe que vai algumas iguarias como castanhas, amendoim, azeite de dendê, bom!
Depois,banho de mar na Praia da Barra, uma das poucas própria para banho nesta orla, passando o farol da Barra até depois do bairro Pituba, as praias estavam impróprias para banho, e bem sujas.
Fomos curtir uma noite bem light no Rio Vermelho, comemos acarajé da Cira, que custa R$4,00 sem camarão e R$5,00 com camarão, a tapioca da Miriam. Vale lembrar que para comer acarajé apimentado tem que ser muito arretado!
Dia 26/03 Sábado
Fomos à Praia do Forte, 73 km da capital baiana pela BA 099, chegamos primeiro e visitamos o projeto Tamar, paga-se uma taxa de R$15,00 por pessoa a entrada e mais R$4,00 para visitar o Submarino amarelo, uma estrutura muito boa, bonito e limpo e principalmente com profissionais dedicados, que amam aqueles animais, no caso de alguns animais dá até para sentir a textura da pele passando a mão, nesta praia tem piscinas naturais que dá para nadar com peixinhos, porém cuidado, há ouriços do mar nas pedras.
A nossa turma estava animada, eu e meu irmão contamos histórias da nossa infância e rimos muito.
À noite fomos no bar do França, tem uma cerveja bem gelada, inclusive uma delas congelou, de lá a Dri, a Mari e o Júlio foram curtir a night pesada na boate Maddre, paga-se R$20,00 mulher e R$25,00 homem, neste dia estava tocando Os Esponjas.Eles acharam que os baianos dançam muuuito e rebolam mais ainda e que para beijar basta olhar!
Dia 27/03 – Domingo
Fomos à Igreja Nosso Senhor do Bonfim, templo católico erguido a partir de 1745, dedicado ao padroeiro dos baianos, é mais uma construção colonial portuguesa linda, estava acontecendo missa, muitas pessoas, fé estampada nos olhos e nas mãos, é de lá a tradição das fitinhas do Bonfim, é um souvenir baiano, uma representação cultural e típica da Bahia, símbolo de fé. Aquele que recebe a fita pode fazer três pedidos, um para cada nó, que deve se realizar ao desatar da fita por desgaste natural. Bom, na Igreja há inúmeras fitas de pessoas que fazem o pedido lá e amarram no portão da igreja, é bonito de se ver o colorido das fitas em meio à multidão de fiéis.
Passamos pelo Dique Tororó, é uma lago artificial muito bonitinho, tem representação dos Orixás da Bahia.
Voltamos ao Pelourinho, almoçamos no Restaurante MamaBahia, uma gracinha! Música ao vivo, MPB clássico, ambiente limpo, claro, um excelente atendimento, preço acessível e cada um ganhou uma caipirinha.
Descemos pelo Elevador Lacerda, em frente ao Mercado Modelo, para esperar o início do show da Ivete Sangalo comemorando o aniversário da capital baiana em seus 462 anos, foi uma aventura total, choveu enquanto esperávamos, fez sol enquanto passava o som, o show começou por volta das 18h40, com atraso, mas quando Ivete começa a cantar, aquilo tudo sacode que você nem se lembra mais de tudo que passou antes do início do show, assistir esse show foi uma experiência incrível, você levanta os braços e não consegue mais baixar, porque o povo gruda em você e começa a te levar de um lugar a outro, é contagiante. Enquanto eu estava amando tudo isso, meu irmão estava sendo assaltado atrás de mim e eu nem vi, depois meu esposo estava sendo “atacado” por pessoas querendo abrir os bolsos dele a qualquer custo, chegou a um ponto de um baiano se dirigir a mim: “ Ele tá marcado, é melhor vocês irem embora.”, até então eu nem estava vendo nada disso acontecendo bem pertinho de mim, tínhamos que ir embora, o Elevador estava fechado e ele era a ligação para a cidade alta onde estava o nosso carro alugado. Procuramos informações, nos disseram que tínhamos que subir a ladeira, que era perigoso e nos desejaram “Boa Sorte!”. Os policiais nos orientaram a não subir a ladeira devido ao risco de mais assalto, e sim utilizar um táxi para subir até o estacionamento. Minha Gente, ficamos assustados! Nós já não tínhamos levado nada, nem câmeras, nem relógios, só documentos e um dinheirinho para água, etc...Ufa!!!
Fomos comer e beber alguma coisa, respirar e tal num barzinho, ainda fizemos algumas piadinhas, conhecemos um garçom muito legal, o Guto, que nos animou e nos orientou ir curtir a linha verde ou litoral norte, e ele estava certo!
Dia 28/03 – Segunda-feira
Manhã chuvosa, cuidado ao andar com os vidros abertos, existem muitas poças nas ruas e você pode tomar um banho de água suja.
Fomos à praia de Boa Viagem, bem suja, até baratas boiando, aff! Depois Ponta de Humaitá, tem uma linda vista da cidade e do mar, e o histórico Farol de Monte Serrat, ao fim passamos na Praia Patamares, água boa para banho, ondas baixas, tem algumas pedras com ouriços, tem água viva, aproveitamos bem, conhecemos uma casa de Bauru-SP. Infelizmente uma onda bateu a Dri contra uma pedra e quando ela saiu a perna estava sangrando, eram espinhos de ouriço do mar. Bem, não vale a pena contar detalhes do mal atendimento da rede publica do hospital de Salvador, no fim da noite, tivemos que levá-la a um hospital particular, para tirar os espinhos, pois podem infeccionar e seria pior, a conta ficou apenas R$739,99, um absurdo! Ficamos revoltados, mas estávamos cansados, com fome e furiosos e “passados” demais para brigar, aff!
Paramos no Hall Sandwich, é gostoso e barato, lanche desses que nós amamos, hambúrguer, batata-frita, suco... hum. Nada saudável, porém gostoso!
Dia 29/03 – Terça-feira
Acordamos mais cedo do que o normal, pois o trânsito de Salvador não é fácil, é moroso, seguimos em direção ao ferry-boat para chegarmos à Ilha de Itaparica, esta foi descoberta em 1501 e o nome dela significa cerca de pedra, ela é cercada por recifes de corais, tivemos que esperar no carro, fazendo mil e uma piadinhas, torcendo para o dia ser muito bom mesmo, pois paga-se R$33,90 por carro e R$4,00 por pessoa para fazer a travessia no ferry-boat até a Ilha. Bom, lá ficamos na Praia Ponta da Areia, uma delícia, água calma e transparente, bela vista, fica-se mais à vontade para relaxar, ficamos metade do dia lá, passamos pela Marina, linda também, e depois partimos em direção à Salinas das Margaridas. Se você for lá, vá com tempo, pois é um pouco longe e a pista é ruim, são por volta de 50 km de Itaparica, não se pode colocar mesas e cadeiras na areia, água parada, tem peixinhos também, é bonito, o pôr do sol lá é maravilhoso!
Ao chegar em Salvador, fomos jantar, adivinha o quê? Pizza!!! Rs...
Dia 30/03 – Quarta-feira
Esse, na minha opinião, foi o melhor dia. Fomos à Foz do Sauípe (linha verde), o encontro entre o mar de Porto Sauípe e do Rio Sauípe, não havia ninguém na praia, estava deserta, só para nós, depois foi chegando pessoas na parte do rio, onde a água é calma, um lugar lindo!
Bem, chegamos a maré estava média, eu me arrisquei atravessar a nado e chegar à Costa do Sauípe, o mar estava enchendo a parte do rio e a corrente estava forte me levando embora, eu nadava, nadava e não saía do lugar. A Mari conseguiu chegar do outro lado, eu, fora de forma, insistia e não saía do lugar, eu desisti, quis voltar, mas estava difícil também, meu irmão quis vir ao meu encontro, mas ficou parado me esperando (um belo salva-vidas, que fica esperando a vítima... rsrs). Bom, eu consegui chegar até ele, só para segurar nele, que é mais pesado, e não ser levada, nadamos mais um pouco e chegamos. Ufa!!! Eu já ia começar a rezar! Que susto, hein!
Eu confiei demais no meu taco! Quando chegamos, havia comentários de que pessoas morreram ali no carnaval, eu fiquei calada absorvendo a lição que tomei.
Esse dia fez um lindo sol, curtimos muito as belezas naturais, e comemos “lambreta” pela primeira vez, no meu caso, primeira e última, é um prato típico, uma espécie de ostra, parecia cena da série global No Limite, até filmamos pois são cenas memoráveis.
Ficamos lá até à noite.
Quando começamos a curtir as praias, já era praticamente dia de vir embora.
Dia 31/03 – Quinta-feira
Voltamos ao Mercado Modelo comprar as lembrancinhas que faltavam, fomos novamente ao Pelourinho, amei aquele lugar e almoçamos no Restaurante Senac, uma delícia de comida e atendimento de ótima qualidade, voltamos ao hotel para arrumar as malas e fomos embora.
Nós aprendemos muito, erramos, acertamos, curtimos e até os dias ruins foram bons, no final das contas. Viajar com amigos, pessoas que você ama, mas que não convive diariamente, o dia inteiro juntos, com a convivência, aprende-se muito delas, o que gostam ou não, o que pensam, o que é bonito para elas e que às vezes não é para você, eu novamente pude perceber o quão nosso país é diversificado, folclórico, simbólico, místico, estreito, raso, largo e profundo. Concluindo, tudo depende dos olhos de quem vê!
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Colaborador:
Juliana Campos
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