AqueleSite
Follow Me on Pinterest

Livros - Submarino.com.br CDs - Submarino.com.br

 

 

 

Comentários

Isa

O noivo

Luciene


Conheça mais.

Artigos

Publicado em 29/10/2010 00:00:11 Categoria: Literatura

A fome contemporânea e a commedia dell’arte

"Leitura do espetáculo 'Quiprocó', expressão latina que siginifica 'isto por aquilo' do Grupo Moitará durante o Circuito SESC de Artes"

Integrando a edição de 2010 do Circuito SESC de Artes para São José do Rio Preto, o Grupo Moitará trouxe o espetáculo “Quiprocó”, versão abrasileirada para o termo qüi pro quo, expressão latina que siginifica “isto por aquilo”. O qüi pro quo é um mote para diversas cenas cômicas, utilizadas, sobretudo, nas manifestações teatrais de origem popular.

O espetáculo, inicialmente programado para acontecer em no Anfiteatro da Represa, ficou reduzido a uma pequena parte da área de convivência do SESC Rio Preto. A intenção de proteger a programação de uma possível chuva mostrou falta de organização e afugentou boa parte da plateia. Os elementos lúdicos, que permitiriam a participação do público de todas as idades, foram abalados pela iluminação artificial, que criou uma barreira entre as crianças presentes, que, ávidas por entrar na brincadeira, dispersaram-se com o enorme boneco pertencente a outra atividade no prédio.

“Quiprocó” conta a história de três personagens-tipos, pertencentes à categoria dos criados: Dentinho, Mirola e Pulti. Dentinho tenta tirar proveito de Mirola, uma cozinheira de mão cheia que sonha em se casar. Com tantas promessas ao santo casamenteiro, Dentinho se passa por Santo Antônio para pedir que a criada lhe faça um pão-de-ló e entregue ao primeiro mendigo que aparecer. O que ele não esperava era que Pulti tivesse presenciado toda a malandragem e chegasse primeiro. Com o aparecimento dos dois falsos mendigos, Mirola fica sem saber para quem entregar a comida, e junto com ela, seu coração.

Mais do que saciar as necessidades físicas, os desejos e as carências – a fome, o sexo e a solidão –, os três personagens lutam pela sobrevivência. As cenas apresentam alguma malícia, mas é somente percebida pelas mentes mais vividas e em nada ferem a ingenuidade das crianças.

O texto, assinado pelo próprio grupo, mostra a pesquisa de costumes, crenças e tradições da cultura popular brasileira e também dos elementos e figuras da commedia dell’arte, manifestação teatral popular a partir do século XVI. Um trabalho primoroso que teve a pesquisa das máscaras, principal ramo do Moitará, como ponto de fusão das diversas linguagens presentes.

As máscaras permitem que a expressão corporal amplie sua gestualidade, potencializando o domínio vocal, corporal e musical dos intérpretes. As técnicas e o treinamento dos atores fazem com que o brincar não seja somente entre atores e público, mas também entre estes que dividem a cena.

A estética da commedia dell’arte é utilizada tanto para a formação da dramaturgia do espetáculo quanto para a concepção geral da obra. O estudo dos personagens-tipos contribui com o trabalho do ator e a linguagem da máscara no teatro contemporâneo. A encenação está intimamente e completamente conectada com o enredo de tema e raiz popular, o que dá a esta obra a pluralidade de leituras. O cenário acentua as escolhas estéticas do espetáculo, onde a mesma estrutura transforma-se em palco, casa, cena, show. O artista itinerante da commedia dell’arte improvisava sobre suas carroças, reduzindo ao máximo os recursos cênicos. A mesma simplicidade e facilidade de montagem dos séculos passados está presente hoje; a viabilidade do teatro contemporâneo é a mesma de centenas de anos.

Tal como os artistas da commedia dell’arte de outrora, os atores de hoje também precisam manter a viabilidade de suas peças. A maioria do “povo de teatro” continua “mambembe”, mesmo com todas as possibilidades da contemporaneidade. Vão de cidade em cidade, saciar suas fomes e a de seu público. Qual é o pão-de-ló de hoje?

Clique e confira a programação atual do SESC de São José do Rio Preto

Colaborador:
Joice Zorzi

Compartilhe:    

Útimos Artigos


 

 

Comentários via Facebook

Comentários via Aquelesite

Não há comentários, seja o primeiro a comentar!

 

Nome:
E-mail:
Comentário: