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Publicado em 26/08/2010 03:12:12 Categoria: Cultura

Conheça a "Pop Art", movimento inspirado na cultura de massas

"Movimento artístico que usa figuras e ícones populares retirados do imaginário consumista como tema de suas obras"

Dos anos 20 aos 50, o mundo viveu a era da arte moderna, cheia de movimentos abstratos, linhas retas, cores neutras. A arte se mostrava hermética, incompreensível. O mundo capitalista seguia a ideia do minimalismo na comunicação, mas, por outro lado, era evidente a cultura da maximização do consumo.

Com o objetivo de criticar esse bombardeamento capitalista, surge a Pop Art, que tem a proposta de retratar a vida cotidiana e mostrar que não há separação entre a arte e a vida, afastando a ideia da arte obscura, distante do público. Com raízes no dadaísmo e no surrealismo, a Pop Art começou a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os ícones e produtos do mundo capitalista, passaram a transformá-los em tema de suas obras.

Os materiais mais usados pelos artistas da Pop Art eram derivados das novas tecnologias que surgiram em meados do século XX. Goma, espuma, poliéster e acrílico foram muito usados pelos artistas plásticos deste movimento. Também se observava a utilização de técnicas como colagem e a pintura com cores fortes e saturadas.

A Pop Art defende uma visão irreal da cultura das massas, e se comunica através de símbolos e signos retirados do imaginário consumista, representando, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. E com o foco no popular, essa arte se propagou pela incorporação das histórias em quadrinhos, da publicidade, das imagens televisivas e do cinema. Mas também, ao mesmo tempo que criticava os objetos de consumo, esse movimento utilizava-se destes para produzir a sua arte, o que acabava por aumentar ainda mais o seu consumo. Foi o que aconteceu com as latas de Sopa Campbell e as de Coca-Cola, estilizadas pelo artista Andy Warhol, que se tornou um dos principais ícones da época.

É interessante observar também o deslumbramento pelo american way of life (estilo americano de vida), graças à mitificação da cultura dos EUA. Isso se devia ao fato de os Estados Unidos se tornarem uma potência na época, enquanto os outros países passavam por um período pós-guerra, vislumbrando a prosperidade econômica e social evidente na sociedade norte-americana.

No Brasil, a Pop Art assumiu características próprias. Nos anos 60, vigorava no país a ditadura militar, logo, esse movimento surgiu para combater o autoritarismo e denunciar os abusos do regime,dando um cunho político às obras criadas.
Os artistas brasileiros utilizaram muito a técnica das impressões de silkscreen coloridas e as referências a revistas em quadrinhos. Entre os principais artistas, temos Antonio Dias (1944) - Querida, Você Está Bem?, 1964; Nota Sobre a Morte Imprevista, 1965; e Mamãe, Quebrei o Vidro, 1967 -; Rubens Gerchman (1942 - 2008) - Não Há Vagas, 1965; e O Rei do Mau Gosto, 1966 -; Claudio Tozzi (1944) - Eu Bebo Chopp, Ela Pensa em Casamento, 1968, entre outros.

Andy Warhol

Como um dos ícones mais famosos da  Pop Art, Andy Warhol não apenas fez arte a partir de mitos, mas criou mitos por si mesmo, como podemos perceber pelo quadro de Marilyn Monroe, hoje umas das obras mais citadas em qualquer estudo sobre o assunto. O pintor também fez quadros de Elvis Presley, Liz Taylor e Marlon Brando, e sua ideia era retratar a impessoalidade de figuras públicas, retratando-as numa produção mecânica ao invés de utilizar o trabalho manual. Com essa mesma técnica foram representadas as latas de Coca-Cola e Sopa Campbell.
 

Andy Warhol

Como cineasta, Warhol desenvolvia filmagens totalmente diferentes e fora dos padrões da filmografia tradicional (ausência de roteiro, câmera imóvel, tentar mostrar uma "realidade mais real do que a real").
Mesmo assim, seu destaque maior foi na pintura. Ao retratar a devoção das massas para as celebridades, Andy mostrava o caráter de símbolo, de figura criada pela mídia, o que realmente a fama significava.

 

Romero Britto

No Brasil, atualmente, o maior expoente em Pop Art é Romero Britto. Seus quadros decoram as casas de celebridades como Xuxa, Madonna, Bill Clinton e Arnold Schwarzenegger. Seus quadros são vendidos por até 120 mil dólares. Ele também já produziu peças comerciais para Pepsi, Disney, IBM e Apple, desenvolvendo projetos que vão desde a área da moda até carros.

Romero Britto
Mas, diferente da ideia pela qual surgiu o movimento, Romero utiliza suas obras como objetos de decoração e entretenimento, afastando a ideia de crítica em qualquer aspecto. Romero cria suas pinturas através de objetos geométricos, curvas, figuras como corações e animais.

Colaborador:
Joy Oliveira

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