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Publicado em 03/08/2010 22:00:11 Categoria: Diversos

A Síndrome dos Festivais

"Será que a emoção está na disputa por cada ingresso e nas enormes filas enfrentadas?"

Mais uma edição do Festival Internacional de Teatro acabou e o que se pôde perceber durante os nove dias de apresentações foram longas filas, teatros lotados e muita gente do lado de fora, sem conseguir assistir às peças por não ter ingresso.

Não posso me omitir à boa vontade dos organizadores presentes nos teatros, que se esforçaram para que o maior número possível de pessoas pudessem entrar, mesmo que não houvesse mais assentos disponíveis, sendo por isso, necessário ficar em pé ou até mesmo sentar no chão.

Esta mesma grande procura e presença por parte do público não é exclusividade do FIT, é nítida também, no já conhecido e renomado Janeiro Brasileiro da Comédia, que desde a primeira edição gratuita, passa pelo mesmo problema: procura por ingressos muito maior do que a demanda.

Sabemos que há muito o que se fazer para sanar essas deficiências, mas esta não é a questão a ser discutida neste momento. O que me intriga é o motivo pelo qual esses festivais atraem tanto as pessoas.

Muitos podem alegar que é devido à diversidade e qualidade dos espetáculos apresentados, outros podem dizer que é o fato de serem gratuitos ou terem preços bem acessíveis, no caso das peças pagas. Há ainda os que fariam referência à possibilidade de encontros e contatos possíveis de serem realizados.

E eu não discordo de nenhum desses argumentos, mas me entristeço ao perceber que ao término dos festivais, o grande público, que até então comparecia, desaparece e deixa de prestigiar locais e eventos que oferecem a mesma qualidade e a acessibilidade encontrada e tão apreciada no FIT e no JBC.

A cidade de São José do Rio Preto tem ótimas opções de locais voltados para a cultura, como o Sesc e o Sesi, que oferecem mensalmente uma rica programação de teatro, dança, música e cinema, mas que pouquíssimos usufruem. A maioria fica aguardando o próximo festival...

Será que a emoção está na disputa por cada ingresso e nas enormes filas enfrentadas? Ou será esse mais um interesse massificado, tão comum nos dias de hoje?

Enquanto eu não encontro as respostas para essas indagações, eu aproveito cada uma dessas oportunidades oferecidas fora dos festivais, para deleitar-me de arte em qualquer época do ano.

As portas estão abertas a todos, basta chegar, entrar e aproveitar.

Colaborador:
Daniela Cavina

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