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Publicado em 19/07/2010 18:20:00 Categoria: Diversos

Priceless

"Agente do FBI escreve sobre bastidores sobre os crimes no Mundo das Artes"

Estocolmo, Natal de 2000. Bandidos explodem dois carros perto do Museu Nacional da Suécia e bloqueiam os acessos ao prédio. Eles roubaramm um Renoir e um autorretrato de Rembrandt, de US$ 36 milhões, e fugiram numa lancha atracada atrás do museu.

Cinco anos depois, perante toda a empresa, é anunciado, pelo porta voz da polícia americana, o resgate do Rembrant, quadro que foi achado enquanto estava em negociação pelo valor de Us$ 250 mil em Copenhague.Enquanto os repórteres bombardeavam os chefes da polícia com perguntas e flashes, nos bastidores se encontrava Robert Wittman, agente secreto do FBI, que passou mais de 20 anos investigando e recuperando obras de arte roubadas pelo mundo todo. "Sempre ficava escondido enquanto os chefes se gabavam diante das câmeras", lembra Wittman em entrevista à Folha. "Só fazia meu trabalho: recuperar as obras."

Agora, após sua aposentadoria, Whittman relembra sua carreira no livro "Priceless", recentemente lançado nos Estados Unidos e que deve chegar ao Brasil pela editora Zahar. Vindo de uma família de classe média em Baltimore, no estado de Maryland, filho de  sargento da aeronáutica que se casou com uma jovem coreana durante a Guerra da Coréia, Robert Wittman não havia pensado em se tornar um detetive de arte, e ao que tudo indica ele conta em seu livro não só como isso aconteceu como também diversas de suas maiores capturas e aventuras no mundo do crime, da arte e da antiguidade. Porém o livro tem como história principal a maior investigação de sua vida, que ainda não esta resolvida.

O caso aconteceu em 1990, quando ladrões vestidos de policiais invadiram um museu em Boston e roubaram US$ 500 milhões em obras, entre elas um Vermeer, dois Rembrandt e quatro Degas. "Nenhuma delas foi encontrada", conta Wittman. "Mas acredito que estão por aí, não foram destruídas."

Wittman chegou a viver vários anos na França e em Miami seguindo os rastros das obras roubadas. "Já encarnei todo tipo de personagem, professor, colecionador, marchand", conta. "É como ser um ator, com a diferença que não podemos refazer um take ruim e as consequências são bem mais severas quando erramos." Fingindo ser um comprador, quase conseguiu recuperar os quadros de mafiosos mas o plano fracassou. Segundo ele, havia muita gente envolvida. "Temos só uma chance para resolver o caso", conta. "Por isso, sempre mantive os disfarces bem próximos da realidade, já que era difícil demais decorar as mentiras."

O autor também fala sobre seu caso preferido, o resgate de uma bandeira usada na Guerra Civil. "Ela valia só US$ 30 mil, mas cinco pessoas morreram carregando aquela bandeira", lembra. "Dinheiro é muito fluido, não significa nada. É mais importante resgatar um pedaço de cultura."

Capa do Livro


Colaborador:
Joy Oliveira

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