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Publicado em 12/11/2009 18:57:58 Categoria: Textos Livres

É para falar de medo?

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É para falar de medo?

Crônica - pequeno texto que relata aspectos do cotidiano, o sonho não acontece

durante o dia, mas faz parte do cotiDIAno.

Até parece que foi de propósito, mas justamente hoje: o dia em que eu decidi escrever essa tal crônica sobre o medo... sonhei que era uma pessoa, igual a mim mesmo, mas com um pequeno detalhe: sem medo algum. Como? Pois é, sonhei que não tinha medo de nada, nada me podia amedontrar naquele sonho, e eu nem tinha superpoderes, nem capa, nem escudo, e sem nenhum medo.
Lembro que saí na chuva sem nenhuma proteção, acariciei um leão de enorme juba e que ainda me disse: - Não sabes de nenhum petisco por aí? Segui em frente. Cruzei algumas ruas escuras, sem nem olhar para trás. Alimentei um bando de lobos famintos sem nem me preocupar. Vi um tiro vindo em minha direção. E o que fiz? Apenas dei um passo à esquerda, e pronto. Algumas pessoas morreram neste sonho, mas eu apenas disse a elas até daqui a pouco. Mas espere (!).

Agora pensando e relembrando (o gerúndio mostra o dia todo que passei refletindo) não entendo como tudo era tão simples. Não havia medo. Confesso que não gostei do sonho-do-todo-poderoso-comum-e-destemido. Senti uma ausência de sentimentos nesta criatura. Sei que era um sonho, um pedaço de nossas vidas onde tudo é possível. Até aquilo que na “vida acordada” é pouco provável de acontecer.
Todo mundo diz maravilhas sobre esse mundo imaginado dos sonhos, mas a partir de hoje eu tenho um pouco de medo de sonhar. Até agora essa coisa parecia tão boa, a Xuxa deve ter umas quinhentas músicas que falam que sonhar é legal, vários poetas preferiram escrever sobre seu mundo de sonhos que viver em uma realidade nua-e-crua-e-dura.
Eu não disse que esse sonho destemido iria acabar com a minha crônica sobre o medo (não, eu não disse). Mas enfim, eu tenho medo de muita coisa, mas isso não é um divã (ainda bem) e eu não vou contá-las aqui. Medo de leão. Medo de lobo faminto. Medo de ficar resfriado. Medo de injeção, de bala perdida, de tiro de canhão. Medo de acordar sem o dedo mindinho do pé esquerdo. Medo até de escrever, mas com o lápis e o papel eu tento me arranjar. Arrumo tudo, busco inspiração e lá vamos nós! Mas antes de ser tão lindo-e-simples assim: muito medo.
Na noite de hoje eu decidi, quero sonhar que eu era um medroso incurável, daqueles muito medrosos... Daí eu acordo, esse é meu acordo com o sonho, relembro e penso tudo outra vez como hoje. Vou me divertir.

Prefiro o meio-termo, nem Hércules, nem Scooby-Doo. Prefiro ter medo e não ter, escrever sobre esse mundo de coisas e ter medo e não ter. Coragem diante de grandes problemas. Amarelar quando a coisa ficar muito feia, ou não. Você tem medo de alguma coisa? Conta porque agora é sua vez. Vai! Isso aqui já virou um divã, mesmo. Buuuuuu...

Colaborador:
Felipe Ibrahim

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Comentários

Felipe, amei seus textos, sua ótica contrastante da critica e do relevante.
 
Juliana (07/08/2010 11:19:11)
 

 

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